O CÉU E O INFERNO

Estudo doutrinário de: Orson Peter Carrara e Jéssica Grava

o ceu eo inferno

Autor: Allan Kardec

Editora: FEB

Data da 1ª edição: 1865

Capítulo I – O Porvir e o Nada

Item 1

Os questionamentos apresentados por Kardec já no início do livro, no item 1 do capítulo I, são os mesmos que a humanidade vem tentando decifrar há séculos. Afinal, todos morrem fisicamente. E para onde vamos? Que será feito de nós?

Esses questionamentos apresentam-se ao lado da necessidade e do gosto de viver, pois todos buscamos a felicidade. Observe-se, por exemplo, que ao falar sobre isso, a maioria das pessoas foge do assunto e prefere ignorar a questão. Todavia, a Doutrina Espírita aborda o tema em profundidade e nesta obra magistral da Codificação, Kardec já inicia direto com tais perguntas, que devem interessar diretamente a todos nós.

Fico a pensar de que valeriam todos os esforços empreendidos na presente existência, se tudo se acabasse com a morte. A própria lógica indica que não é assim. Há algo mais além da brevidade da existência física.

Faça-se breve comparação com um filho. A ele dedicamos toda atenção e amor, e nunca ficamos a imaginar que aquele corpo físico um dia vai morrer também. As alegrias e os cuidados com um filho indicam, ainda que intuitivamente, que o futuro o aguarda e que devemos auxiliá-lo a tornar-se uma pessoa digna, honrada, decente, moralizada. Este o objetivo de viver. Ao mesmo tempo, interessamo-nos em estudar, aprender coisas novas, aumentamos nosso círculo de amizades e relacionamentos. Como fica isso no futuro?

E como a Doutrina estimula o questionamento, eis aqui uma bela chance de estudar o empolgante tema. Indagar, raciocinar, pensar, questionar. Afinal, como é? Continuamos a viver após a morte ou não? Como estaremos? Com quem? Em que condições?

Eis as questões com que nos ocuparemos ao longo do estudo dessa fabulosa obra.


Item 2

Neste item o Codificador argumenta sobre os prejuízos da crença no “nada”, quando os interesses voltam-se exclusivamente para a vida presente, com forte estímulo ao egoísmo. A conclusão dos que seguem a crença no fim de tudo após a morte física, é que é preciso gozar o máximo, agora, mesmo que em prejuízo de terceiros. Isto gera, sem dúvida, o desrespeito pela dignidade humana e nos tornamos verdadeiramente criaturas anti-sociais, rompendo os laços de solidariedade que devem nortear as relações humanas.

Nesta crença não há fundamentação para a fraternidade, nem para o esforço no bem, pois que os laços entre as criaturas rompem-se com a morte. Noção incompatível com a lógica e o bom senso. A seqüência do estudo nos dará amplo entendimento da questão.


Item 3

Continuando com nossos estudos do livro O Céu e o Inferno, é importante ressaltar que esta é a quarta obra, na seqüência, da série da Codificação Espírita. Lançada em 1 de agosto de 1865, em Paris, no título original francês Le Ciel et L’Enfer ou La Justice Divine selon le Spiritisme, esta produção magnífica oferece vasto campo de estudo.

Simples análise de seu índice já mostra o vigor de suas páginas. Estamos estudando-a desde o início, com comentários rápidos e simples sobre cada item, a começar com o capítulo I. Estamos no item 3.

Os amigos poderão notar que o Codificador continua argumentando, na seqüência dos itens, sobre O Porvir e o Nada (que é o título do capítulo). Neste item há uma comparação diante de uma suposta notícia para um povo que, em oito dias, será aniquilado.

Que comportamento adotará esse povo? Haverá algum sentimento de dever, de honra?

Pois bem, o que ocorre coletivamente, ocorre também todos os dias, individualmente, conforme ponderações do próprio Codificador, com conseqüências desastrosas para a vida social.

Usando um exemplo de ocorrência na vida de uma pessoa que toma conhecimento, hipoteticamente, dos próprios dias contados. Manipulado pela doutrina do niilismo, essa pessoa entrega-se a toda sorte de excessos e desregramentos, procurando gozar dos supostos últimos dias de vida na Terra.

Como a orientação religiosa tem se mostrado deficiente, por não se assentar em fatos positivos, desencadeia a onda de incredulidade e indiferença com os consequentes males sociais daí decorrentes. Fica evidente, uma vez mais, a necessidade da concordância das informações fornecidas pela Religião com os dados positivos alcançados pela Ciência. Faltando estes, desabam quaisquer tentativas de acalmar o intelecto.

Daí a excelência da Doutrina Espírita, conforme veremos nos próximos itens.


Item 3 e 4

No item 3, Kardec levanta a hipótese de aniquilamento total de um povo num prazo previsto e determinado. E lança indagações se haveria interesse ou esforço pelo aperfeiçoamento moral, pela aquisição cultural. Claro que não! A tendência certa seria usufruir ao máximo os últimos instantes, com total entrega ao desregramento social.

Pois, é exatamente isso, conforme pondera o Codificador que “O que se não dá coletivamente, a doutrina do NIILISMO realiza todos os dias isoladamente, individualmente”. É a conseqüência direta do materialismo.

É o que ocorre hoje com a maioria dos habitantes do planeta. Acreditando-se seres que estão vivendo pela última e única vez, entregam-se à satisfação desenfreada de prazeres materiais, despreocupados da maneira como atingem isso e desinformados das conseqüências dos desajustes daí consequentes.

E como a religião, em linhas gerais, tem se mostrado impotente para sustar os surtos de incredulidade, vemos a questão agravar-se. O falta, conforme texto de Kardec, é a demonstração de fatos positivos.

E no item 4, já citando o Espiritismo, o texto conclama ao raciocínio dos ensinos trazidos pela revelação espírita, através de convite direto para a análise correta dos fatos.

Com grande oportunidade, no final do item 4, há o destaque da responsabilidade assumida por aqueles que semeiam idéias de perturbação no seio da sociedade, especialmente nas mentes juvenis. Essa negação do futuro e da sobrevivência da alma é a causa dos desajustes sociais que vivemos atualmente e os responsáveis pela defesa e expansão desses germens de dissolução assumem compromissos perante a própria consciência. Afinal somos todos responsáveis pelo que fazemos. E a divulgação ou estímulo de idéias materialistas trazem conseqüências danosas para a sociedade, tanto em seu todo, como individualmente considerando. Haja visto os prejuízos que já podemos observar.

O que precisamos sempre ter em mente, ainda que sintamos dificuldade em aceitar as idéias espíritas, é que é preciso ter a mente aberta ao raciocínio. Pensar sobre todas as questões e submete-las ao critério da razão e do bom senso. Inclusive este assunto da vida futura. Usando o raciocínio, veremos o absurdo da doutrina materialista.

E o Espiritismo convida a pensar…


Item 5 a 7

Nestes itens Allan Kardec comenta sobre uma doutrina que nega ser materialista, mas que admite que todos somos absorvidos, após a morte física, por um Todo Universal. Seríamos, então, parte de Deus. Ao nascer, cada indivíduo traz consigo uma parcela desse todo e na morte, essa parte se perde novamente no Todo. Tal doutrina, conforme enfatiza o Codificador, é um passo adiante sobre o materialismo, mas suas conseqüências são as mesmas, pois leva cada um ao aniquilamento da individualidade. Vale apenas o presente, porque não há passado nem futuro, estimulando os mesmos perigos da negação que o materialismo apresenta. E a genialidade de Kardec indaga, então, que se as partes vieram de um mesmo Todo, como pode haver tanta diferença entre as partes, da sabedoria à ignorância, da saúde à enfermidade ou da bondade à maldade? Recomendamos, com ênfase, que possam refletir sobre os itens ora comentados, lendo-os na íntegra no capítulo I do precioso livro O Céu e o Inferno.


Item 8 e 9

O pensamento do Codificador , argumentando sobre as objeções ao sistema de absorção pelo todo universal é magnífico. Desejamos sugerir ao leitor para atentar aos detalhes preciosos das argumentações constantes desses dois itens do capítulo I. Conforme enfatiza no item 9, do ponto de vista moral as consequências também são ilógicas, pois Deus seria composto de vontades divergentes, o que naturalmente seria um grande obstáculo para a estabilidade de suas leis.

Mas é no item 8 que ele coloca esta pérola: “Uma teoria não pode ser aceita como verdadeira senão com a condição de satisfazer a razão e dar conta de todos os fatos que ela abarca; se um só fato vier dar-lhe um desmentido, é que ela não está na verdade absoluta”.

Estamos apresentando comentários bem compactos aos leitores para que possam verdadeiramente buscarem na fonte original, o livro O Céu e o Inferno, a clareza do pensamento do Codificador. Estamos apenas no capítulo I dessa importante obra e neste ano de 2004 em que se alcança o bicentenário de nascimento do Codificador do Espiritismo, o momento sugere estudar e estudar para compreender mais.

Notem os amigos que o capítulo em referência liga-se ao futuro após a morte e Kardec está comentando as várias teorias apresentadas para tentar explicar o futuro. Cada item, cada comentário, cada raciocínio leva a refletir seriamente sobre a abundância do conhecimento que a teoria espírita apresenta; teoria aliás baseada em fatos. É que a Doutrina Espírita solicita-nos raciocínio e reflexão, motivo que nos leva a esses singelos comentários, sem pretensões, mas motivados de despertar o interesse pelo estudo da obra.


Item 10

Aqui Kardec inicia comentando que os sistemas anteriormente citados não satisfazem nem à razão e nem à aspiração humana de felicidade. E levanta o notável questionamento de que estamos, pois, diante de três alternativas:
a) O nada absoluto após a morte, o que seria por si só um absurdo porque não há como conceber o nada; perguntemo-nos: o que seria o “nada”?
b) A absorção pelo todo, cujo absurdo foi comentado nos itens anteriores;
c) A individualidade da alma, antes e depois da morte.

Independente de ser esta última a posição espírita, abstenhamo-nos da idéia espírita e raciocinemos sobre esta alternativa. A lógica a ela nos leva. E considere-se que esta crença forma a base de todas as religiões.
Diante da lógica da alternativa citada, somos levados a pensar que a situação de cada um depende, pois, das qualidade pessoais que cada um detem em si mesmo. Seria mesmo inconcebível que a alma de um selvagem estivesse nas mesmas condições de uma alma virtuosa. Aí surgem os princípios de justiça, que determinam que cada um torna-se responsável pelos próprios atos. Para que sejam responsáveis pelos próprios atos, é necessário que tenham liberdade de escolha entre o bem e o mal.
Se há liberdade de escolha, não há fatalidade. Somos, pois, os construtores do próprio destino. E essa construção se dá pelas oportunidades das vidas sucessivas.


Item 11:

Neste item, do capítulo I do livro que estamos estudando O Céu e o Inferno, o comentário está em torno do princípio espiritualista, aceito pelas religiões. Este princípio da imortalidade aceita a destinação feliz ou infeliz para depois da morte, destinando para gozos e sofrimentos, a depender da conduta adotada quando da vida na Terra. Surge aí a figura do céu e do inferno.
Ocorre que elas diferem, como pondera Kardec, sobre a natureza desses gozos ou sofrimentos experimentados. E sobretudo sobre as condições em que possam merecer.
Desta dificuldade surgem as diferentes interpretações religiosas que, muitas vezes, apresentam deveres particulares impostos como meio de ganhar o céu e evitar o inferno, como, inclusive, está no texto original do livro.


Item 12:

Durante muito tempo a religião foi confundida com práticas exteriores e mesmo hoje tais práticas escravizam o pensamento. Sugiro ao leitor ler com atenção este item e refletir sobre seu conteúdo.


Item 13:

Este item é de profunda reflexão. A existência de incrédulos é conseqüência do não acompanhamento, pelas religiões, do movimento progressivo da humanidade. Sempre que há imposição irracional, surge a incredulidade. Somos criaturas pensantes e imposições dogmáticas agridem aqueles que já aprenderam a refletir.
Aí surge a lógica da Doutrina Espírita. Apresentando um futuro em condições lógicas, dignas, e principalmente justo, dentro de uma lógica que admite raciocinar sobre o futuro e seus desdobramentos, pode ser aceito com mais facilidade.


Item 14:

Por falta de base para estudar e definir o futuro, a imaginação constrói sistemas que ficam ultrapassados diante do progresso inevitável das idéias.
A Doutrina Espírita tem porém, sobre o futuro, uma concepção baseada na observação e nos fatos e jamais na imaginação. Isto lhe garante autenticidade. Isto descarta opiniões divergentes sobre sistemas imaginados e facilita a unificação das idéias, pois que, repetimos, baseados na observação e em fatos observáveis.


Capítulo II – Temor da morte

Itens 1 a 9

Remontando às antigas idéias dos povos sobre o entendimento do que seria o “céu ” , Kardec faz uma síntese sobre tais idéias e aborda sobre o erro humano de antigamente considerar a Terra como o centro do universo. Ideia, aliás, que as conquistas da ciência colocaram por terra.

No item 3, por exemplo, analisando as conquistas da ciência, coloca a Terra em sua real situação: ela não é, senão, um ponto imperceptível na imensidão do universo. E, raciocina sobre a grandeza de Deus que não situou exclusivamente na Terra seus filhos. E afirma: ” Tudo, ao contrário, anuncia que a vida está por toda parte, que a Humanidade é infinita como o Universo. Deus não poderia tê-los criado sem objetivo; deve tê-los povoado de seres capazes de governá-los”.

Esta multiplicidade, pois, de planetas habitados, derruba qualquer idéia de céu situado ” acima” das paisagens humanas.

E, no fabuloso item 4, coloca novamente em questão a limitação dos conhecimentos humanos e a tola pretensão de querer resolver todas as questões sob a ótica de tais limitados conhecimentos, diante da grandeza da criação de Deus.

Com a idéia anterior, equivocada, de que a Terra seria o centro do universo, o céu seria morada dos eleitos e exclusivamente vinculada à Terra. As conquistas da Ciência mostraram que não.

O azul do céu é apenas consequencia das condições do planeta, pois o universo estende-se infinitamente para todos os lados, não havendo, pois, “em baixo” ou “em cima”, para indicar um céu de eleitos. O céu, da paz, é muito mais uma condição interior do ser do que uma região localizada.


Item 10

Este item, único, está com o subtitulo POR QUE OS ESPIRITAS NÃO TEMEM A MORTE?
O subtítulo é bem chamativo e utiliza-se da revelação trazida, em detalhes, pelos próprios espíritos, sobre o futuro e suas condições, para aquele que já passou pelo fenômeno biológico da morte. Sempre caminhando pelo raciocínio, Kardec convida a pensar, afirmando que ” para os espíritas a alma não é mais uma abastração” e que ” o temor da morte não tem mais razão de ser; encara-se a sua chegada a sangue frio, como uma libertação, como a porta da vida e não como a porta do nada” .

O capítulo é pequeno, tem apenas 6 páginas, mas de grande conteúdo. O leitor pode tirar muitas reflexões de seu texto.
É interessante acompanhar o pensamento do Codificador.
É extremamente agradável pensar num assunto que assusta tanta gente, mas que se torna suave e compreensível com as luzes da Terceira Revelação.
Sugerimos que o leitor leia o capítulo demoradamente, como citamos acima, pois que extrairá de seu texto muito conteúdo para suas reflexões e para a própria capacitação de vencer o medo de um fenômeno absolutamente natural e agora com perspectivas novas, suaves e consoladoras, como ocorre com o ensinamento trazidos pelos espíritos.


Capítulo III – O céu

Itens 1 a 4

Este magnífico capítulo, dividido em dois subtítulos (estamos analisando o primeiro deles: Causas do temor da morte), apresenta reflexões de profundidade e nos leva a analisar as causas do pavor que a morte tem causado em todos os tempos.
Allan Kardec leva o leitor a amplos raciocínios, partindo do conhecido para alcançar aquilo que o homem, erroneamente, considera um mistério indecifrável.
Já no item 2, o Codificador afirma que o temor da morte é efeito da sabedoria do Providencia e também consequencia do instinto de conservação, comum a todos os seres vivos.
Mas no item 3 leva-nos a raciocinar que ” à medida que compreende melhor a vida futuro, o medo da morte diminui ” . Sugerimos que o leitor faça uma leitura demorada e bastante reflexiva, principalmente do importante item 3.

No item 4, todavia, Allan Kardec já convida o leitor a livrar-se do medo da morte com o esclarecimento que o próprio raciocínio pode trazer, utilizando-se da lógica espírta.
Nos itens seguintes, 5, 6 e 7, o Codificador, sempre utilizando-se de sua lucidez e competência, continua com o raciocínio que ajuda a entender a questão.
Finalmente, no item 8, ele cita as tradições humanas, hábitos e costumes que transformaram a morte em algo lúgubre, feio e principalmente assustador.
E conclui o item 9, indagando se uma alma que ama consegue ser feliz, vendo o ser amado no chamdo inferno?


Itens 5 a 7

Na continuidade do capítulo que Kardec nominou O Céu, a partir do item 5, o Codificador traz importantes explicações sobre a constituição real do ser humano, justamente para levar o raciocínio do leitor ao entendimento da questão em estudo no capítulo.
O segundo parágrafo, por exemplo, do item 5, apresenta a realidade da existência de dois mundos, o corpóreo e o espiritual., fazendo comentários que o leitor não pode deixar de ler.
Mas é exatamente no item 6, que encontramos essa pérola: A felicidade está na razão direta do progresso realizado, de sorte que, de dois Espíritos, um pode não ser tão feliz quanto outro, unicamente por não possuir o mesmo adiantamento intelectual e moral, sem que por isso precisem estar, cada qual, em lugar distinto. Ainda que juntos, pode um estar em trevas, enquanto que tudo resplandece para o outro, tal como um cego e um vidente que se dão as mãos; este percebe a luz da qual aquele não recebe a mínima impressão.
E é com essa explicação que ele faz uma comparação notável sobre a audição musical, tomando-a por exemplo entre duas pessoas: uma com o ouvido educado para a música e outro sem qualquer contato com a música, nos efeitos diferentes que em cada um produzirá.
Por esta razão, queremos levar o leitor a ler novamente os itens 5 a 7 de O Céu e o Inferno e deslumbrar-se com os comentários ali existentes. Tenho certeza que não conseguirá parar e prosseguirá nos demais itens que compõem o capítulo e que serão objeto de nossos próximos comentários.


Itens 8 a 11

Nos itens citados (8 a 11), Allan Kardec apresenta uma monumental síntese sobre as vidas sucessivas, através da reencarnação. Numa seqüência lógica o autor leva o leitor a raciocinar com clareza sobre a lógica das vidas sucessivas, fazendo considerações simples, mas diretas, objetivas. Ao mesmo tempo que aborda a finalidade da encarnação, necessária para o progresso intelectual e moral – exatamente pelo convívio com outros seres – o Codificador analisa a questão da multiplicidade das existências, o intervalo entre as encarnações e chega à questão dos planetas superiores à Terra.

É sempre muito salutar acompanhar o raciocínio de Kardec. A clareza de suas observações, sempre alicerçadas no bom senso e numa análise bastante ponderada e ao mesmo tempo muito direta, facilita o raciocínio de fatos patentes, sem qualquer misticismo ou mistérios.

Por tudo isso, a fabulosa obra da Codificação, O Céu e o Inferno, vai se desdobrando com uma seqüência muito bem elaborada para levar o leitor a raciocinar mesmo, o que vai facilitar o entendimento global e particular dos princípios doutrinários. Tudo isso para que a aceitação esteja absolutamente embasada em reflexões demoradas e sempre, repetimos, alicerçadas na lógica e no bom senso.


Capítulos IV, V e VI

Prosseguindo com nossos estudos faremos um breve comentário sobre os três capítulos destacados (IV, V e VI), que reúnem temas ligados entre si. O capítulo IV trata de O Inferno, o V aborda O Purgatório e o VI traz à análise o tema Doutrina das Penas Eternas.

Nos três casos Allan Kardec traz antecedentes históricos do desenvolvimento da crença nos tres temas. No primeiro caso, o Codificador aborda a questão da intuição nas penas eternas, sua ligação com o inferno cristão e pagão, que comenta isoladamente – nos dois casos, aborda os limbos, em comentários de muita lucidez que convidam o leitor a amplo raciocínio sobre a impossibilidade e absurdo da existência do que a crença sem raciocínio resolveu denominar inferno.

Já no segundo caso, logo no primeiro parágrafo, ele afirma: “O Evangelho não faz nenhuma menção ao purgatório, que não foi admitido pela Igreja senão no ano 593. E, seguramente, um dogma mais racional e mais conforme a justiça de Deus do que o do inferno, uma vez que estabelece penas menos rigorosas e resgatáveis, por faltas de uma menor gravidade (…)”.

Mas é no item 8, após valiosas ponderações que encontramos: “(…) O Espiritismo não vem, pois, negar a penalidade futura: ao contrário, vem constatá-la. O que ele destrói é o inferno localizado, com as suas fornalhas e as suas penas irremissíveis. Não nega o purgatório, uma vez que prova que nele estamos; define-o e o precisa, explicando as causas das misérias terrestres (…)”

É que, verdadeiramente, as consequencias de nossos erros, tropeços e equívocos ficam gravados na própria consciência, trazendo o sofrimento do remorso, do arrependimento, e da reparação, constituindo aí sim o inferno ou purgatório interiores.

No capítulo VI, último em análise nesta abordagem, está a Doutrina das Penas Eternas, com ampla abordagem sobre o tema. Kardec, neste capítulo, fala sobre os argumentos a favor das penas eternas (colecionados através do tempo, na história humana) e da impossibilidade material das penas eternas, provando-a com fatos positivos, entre outros dois subtemas.

Submetemos, pois, ao leitor, a íntegra dos textos, diretamente na obra original, lembrando, com grande júbilo que agora, em 2005, comemora-se os 140 anos desta magnífica obra, lançada em 1865.


Capítulo VII

Como se sabe, o livro O CÉU E O INFERNO está completando 140 anos de publicação no presente ano de 2005. Lançado em agosto de 1865, esta preciosa obra tem muito a oferecer ao estudioso dedicado e perseverante.
O capítulo, ora em estudo, por exemplo, é um dos mais ricos da obra.
Seus 3 subtítulos, em quase duas dezenas de páginas, trazem substanciosos ensinos para nosso estudo e reflexão.

O primeiro deles, A CARNE É FRACA, traz excelente abordagem do Codificador sobre a realidade de que o comandante do corpo é o espírito e não ao contrário como comumente se afirma.

Já o segundo subtítulo, PRINCIPIOS DA DOUTRINA ESPIRITA SOBRE AS PENAS FUTURAS, deixa bem claro que a questão das penas e sofrimentos futuros não são resultado da elaboração mental de uma pessoa, mas sim fruto dos ensinos que os próprios espíritos trouxeram. Aqui apresentamos breve resumo, daí ser muito interessante que o estudioso e leitor atento não deixe de ler os originais, na íntegra, aqui referidos.

Todavia, o que mais nos impressiona é a exatidão, clareza, objetividade com que se apresenta o terceiro subtítulo, o CÓDIGO PENAL DA VIDA FUTURA. O código, deduzido da observação dos fatos apresentados pelos próprios espíritos, está resumido em 33 itens de valorosa profundidade. Cada um, por si só, já comporta outras tantas observações, estudos e pesquisas para ampliação de cada item. É simplesmente fabulosa a perspectiva de abordagem e raciocínios que cada item propicia. A clareza do texto, aliada à dedução que cada estudioso poderá fazer, (em cada item, é bom que se repita), na lógica usada, representam autêntico roteiro de vida para melhorarmos o próprio comportamento e principalmente compreendermos as situações dolorosas que muitas vezes se apresentam à nossa volta. E, sem dúvida, deduzir das conseqüências de tantos outros fatos.
O sofrimento existe mesmo como fruto da ignorância de princípios sábios e bondosos que nos norteiam a vida. Daí a importância de se ler e estudar referido código.
Somos de opinião, inclusive, que tal código mereceria maior atenção e desdobramento em estudos dos grupos espíritas, além de torna-lo acessível – principalmente através da mídia – para o grande público.

Meu caro (a) amigo (a) que nos lê: não deixe de estudar e conhecer devidamente este fabuloso CÓDIGO PENAL DA VIDA FUTURA.


Capítulo VIII

Interessante o Codificador do Espiritismo ter se preocupado com o tema Anjos. Nada mais natural num livro intitulado O Céu e o Inferno. Numa mentalidade arraigada e cultivada de que após a morte nos transformamos em “anjos” ou “demônios” , o assunto é bem pertinente.

O Espiritismo, todavia, transformou o conceito. Nada de privilégios ou conquistas vazias, nem seres distantes ou privilegiados.

O capítulo apresenta o tema analisado segundo os dogmas da Igreja. Inclusive, Kardec apresenta resumo da pastoral do Monsenhor Gousset, cardeal-arcebispo de Reims, para a quaresma de 1864, onde estão bem definidos os dogmas da Igreja no tocante à crença nos anjos.

Logo em seguida, no subtítulo seguinte, Kardec apresenta sua Refutação sobre o mesmo resumo transcrito. Em 9 itens seu raciocínio muito claro declara sobre a injustiça da existência de seres privilegiados, com vivências felizes, conhecimento pleno e sem méritos dessas virtudes e felicidades supremas. Muito oportuno que meditemos sobre os itens do citado subtítulo.

Na seqüência está a visão espírita sobre os anjos. Há uma justiça plena no Universo. Aqueles que vivem na felicidade suprema, no conhecimento pleno e perfeitamente identificados com o Criador, assim estão por méritos próprios, conquistados ao longo do caminho evolutivo.

Não há qualquer privilégio na Criação, este o ponto essencial. O que nos conduz é um processo evolutivo contínuo que nos possibilita alcançar posições ou estágios, inclusive o dos chamados anjos, que precisamos compreender bem para evitar equívocos de entendimento. Por isso, o capítulo específico cujo conteúdo é de grande valor para nossas reflexões.


Capítulo IX

Neste capítulo Kardec procede de forma similar ao anterior, contudo o tema passa dos anjos aos demônios. Dividindo este em três partes, o autor pretende esclarecer a crença nos demônios, a perspectiva da igreja – do período – sobre os mesmos e, por fim, a visão espírita.

No primeiro item: “A origem da crença nos demônios”, o autor realiza uma análise sobre diferentes credos, especialmente aqueles considerados por ele como primitivos. Segundo Allan Kardec, os sistemas religiosos menos complexos eram baseados em teogonias que tinham por princípio as condicionantes materiais para a perpetuação da vida humana. Ou seja, a atribuição de poderes divinos, ou superiores, era feita através da necessidade do uso de determinados recursos, por exemplo, sol, chuva, permanência de rios, estações do ano etc.

Da mesma forma que alguns fenômenos eram associados ao bem, outros eram associados ao mal, tais como, a tempestade, o vendaval, as enchentes etc. Assim, criou-se a dualidade entre forças do bem e do mal na crença popular. A necessidade da personificação simbólica levou ao estabelecimento de figuras centrais dentro de cada uma dessas duas forças: Oromaze e Arimane entre os persas, Jeová e Satã entre os hebreus e assim sucessivamente. Cada lado também deveria ter seu séquito, que na religião cristã foram respectivamente os anjos e os demônios.

No segundo item: “Os demônios segundo a igreja”, é preciso fazer dois esclarecimentos, primeiro é o de que a igreja de referência é a católica, o segundo é o de que o autor aludi, logicamente, à crença do século XIX, sendo possível, portanto, que haja alguma discrepância com a crença atual, possivelmente atualizada em sua prática. Para Allan Kardec, a crença nos demônios, defendida pela igreja, é inconsistente com descrição de um Deus justo e bom.

Segundo o autor, a ideia de que o Criador teria originado uma criatura destinada ao mal retira a plenitude da bondade divina, pois que sendo Ele perfeitamente bom, jamais poderia conceber uma criatura plenamente má. Por outro lado, a crença de que os demônios seriam constituídos bons, contudo se revoltado contra um aspecto da criação se tornando contrários ao Altíssimo é incoerente, pois retira a característica de onisciência divina. Isto é, se as criaturas advindas de Deus fossem potencialmente más, cabíveis de uma insurreição, o Criador deveria pressupor tal ocorrência e, consequentemente, permiti-la. Se assim o fizesse, a punição aos demônios, através de sua exclusão do paraíso e a criação de um lugar de penas eternas seria injusta.

Deste modo, o autor revela críticas à crença nos demônios, segundo a visão da igreja. Para Kardec, a crença nesta mitologia seria a negação da perfectibilidade divina e inconsistente com a doutrina pregada por Jesus Cristo. Tendo em vista que esta defende o perdão das ofensas, seria ilógico que a maior autoridade dentro do cristianismo – Deus – não cumprisse essa premissa.

No terceiro item: “Os demônios segundo o espiritismo”, o autor procura legitimar, especialmente através do método comparativo, a explicação espírita. Segundo Allan Kardec, não há diferentes tipos criados por Deus, não há seres privilegiados ou condenados. Todos são perfectíveis, ou seja, potencialmente perfeitos. Todos os espíritos seriam criados iguais e seguiriam uma escala evolutiva, uma lei natural. Ao fim dessa escala se encontrariam os seres mais próximos da perfeição, que poderíamos associar aos anjos e na base aqueles mais imperfeitos, possivelmente equiparados aos demônios.

Todavia, cabe esclarecer que pela crença espírita estes espíritos mais imperfeitos são suscetíveis à perfeição e os meios para alçar tal estado está sempre disponível, sendo cada indivíduo responsável pelo seu tempo em percorrer a escala evolutiva. Para além, todas as possíveis penas pelas quais estes espíritos passam estariam relacionadas às consequências de suas ações e à inferioridade de seus sentimentos e vícios.


Capítulo X

Neste capítulo o autor pretende esclarecer o ponto acerca da crença na intervenção dos demônios nas manifestações modernas, isto é, nas manifestações espíritas. Para Allan Kardec, um misto de ignorância e superstição causou a confusão entre as manifestações de espíritos e a intervenção dos demônios. A ignorância fez com que se acreditassem que tais manifestações fossem sobrenaturais e a superstição se manifestou através de crenças absurdas.

Kardec destaca que algumas crenças nos demônios se fortaleceram de tal forma que o papel de Deus acabou em segundo plano. Cada nova descoberta científica, cada avanço tecnológico era apontado como coisa de Satã, guardando para este poderes imensuráveis. As manifestações espíritas, para o autor, nada têm de sobrenatural, ao contrário, obedecem a leis que desconhecíamos até então. As experiências espíritas se voltavam a perceber de que ordem seriam essas inteligências que se manifestavam. Tais comunicações revelaram muito sobre a continuidade da vida, demonstrando que não existem seres de natureza diferente – superiores ou inferiores.

O autor crítica a postura irredutível da igreja com relação ao apego a velhos dogmas, pois que Deus não seria tão sábio se revelasse toda a sua lei para homens ignorantes que não podiam compreendê-la. A revelação das informações, deve acompanhar o desenvolvimento do conhecimento humano, caso contrário, a religião cairia na incredulidade.

Neste capítulo, Allan Kardec ainda enfrenta e argumenta contra a crença de que os espíritos seriam demônios. Para tal se utiliza de um argumento baseado na bondade divina: ora, seria bom um deus que permitisse aos demônios enganar e trapacear a consciência humana, sem dotar os anjos dos mesmos poderes? Haveria justiça nisso? Permitiria Deus que uma faculdade tão benéfica aos homens de fé, como a comunicação com o outro mundo fosse utilizada apenas para o mal?

O autor ainda esclarece a diferença entre magias e oráculo das manifestações. Explica que as primeiras eram feitas com base em interesses individuais e por razões muitas vezes orgulhosas e egoístas, mas nas atuais manifestações já se compreende que os espíritos nada mais são que a alma daqueles que desencarnaram, e as informações nada tem de adivinhações ou previsões, antes são lições valiosas para nosso melhoramento moral. Ora, de nada valeria aos espíritos maus ensinar aos homens valiosas lições do bem, incentivar a caridade, a indulgência e o amor ao próximo. Vale lembrar as palavras de Jesus: “Reconhecereis a árvore pelo seu fruto; uma árvore má não pode dar bons frutos.”.

A crença nos espíritos não rompe com os ensinos cristãos, não atesta um deus vingativo e sem piedade. Portanto, nada tem de demoníacas, para o autor, tais manifestações.


Capítulo XI

Da mesma forma que no capítulo anterior, neste Kardec pretende responder às críticas levantadas, especialmente pela igreja, contra as manifestações dos espíritos. Segundo o autor, nada há nos evangelhos que legitime tal crítica. Os críticos utilizavam, então, a proibição de Moisés e é a essa crítica que Allan Kardec procura responder nesta parte da obra.

O autor lembra que a lei de Moisés acerca das evocações também diz respeito a outros costumes da época e se levarmos a proibição daquele momento para o presente, devemos fazer o restante com os outros preceitos da lei. Para Allan Kardec devemos ter em mente que Moisés falou para homens e mulheres de seu tempo, de forma que eles pudessem entender e acreditar, contudo, devemos utilizar o nosso bom senso acerca dessas leituras e ver o teor dessas proibições. Para além, nas proibições de Moisés está evidente que a interdição das evocações deve ser realizada por causa do uso que se fazia dela: as adivinhações e previsões; nenhuma dessas é praticada pelos sérios adeptos do espiritismo. O objetivo do espiritismo com as manifestações é exclusivamente moral e consolador, segundo Kardec.

O próprio Moisés havia diferenciado suas leis permanentes daquelas próprias de seu tempo, segundo o autor, diferenciando entre todas as regras o decálogo. Kardec ainda lembra que Jesus atualizou a lei mosaica, não alterou o decálogo, mas jamais repetiu ou impôs uma proibição em relação a comunicação com os espíritos.

Há ainda mais um fator, segundo o autor, nas evocações espíritas: elas não se dão por mera curiosidade, mas com sentimento de afeto e simpatia; nenhum espírito é constrangido a se manifestar, eles o fazem pela sua própria vontade. Nesse sentido, as invocações dos espíritos nada têm de diferente das invocações dos santos em orações católicas, pedindo fortalecimento e auxílio. Para Allan Kardec, rejeitar as comunicações do além túmulo é se recusar ao conhecimento da vida futura e ao aprendizado das consequências de nossas más ações, é refutar a possibilidade de aprendermos com os erros de outros que já passaram pelo que nós hoje sofremos.


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20 Resultados

  1. Marim Melo disse:

    Muito obrigada, acabei os estudos do livro Ceifa de luz e iniciei esse, escutando o livro em audio e lendo antes o resumo, muito bom, obrigada, Deus os abençoe.♥

  2. aparecida laura ribeiro disse:

    gosto do resumo dos livros para administrar as aulas resumido mais muito claro oentendimento muito obrigado

  3. Leonardo disse:

    Abençoado!!

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    Obrigado…Eu amo seu post obrigado.

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